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Com gosto de chocolate, cacau é uma ótima alternativa para famílias aumentarem suas rendas de forma sustentável

Projetos mostram que plantio de cacau também é um caminho para recuperar áreas desmatadas ou improdutivas

A cadeia produtiva do cacau está presente no dia a dia de milhões de pessoas, já que há um grande consumo de chocolate – que é o produto que mais estimula a produção do fruto do cacaueiro. No Brasil, o destaque da produção vem do Pará e do Sul da Bahia.

O território baiano, por exemplo, é uma referência no recorte de produção porque privilegia dois modelos: Cacau Cabruca e Sistemas Agroflorestais (SAF) com Cacau Cabruca. O primeiro promove o manejo do cacau à sombra de árvores da Mata Atlântica, enquanto o segundo integra a produção de cacau com outros cultivos. Ambos estimulam conservação e geram um fruto com mais qualidade e resistência às pragas.

Na contramão da demanda gerada por chocolate e produtos derivados, grande parte da indústria processadora de cacau opera com capacidade ociosa e enfrenta desafios como o déficit de produção agrícola. Falando especificamente da Bahia, região prioritária para o humanize, há obstáculos como o restabelecimento da produção ao nível anterior à praga vassoura-de-bruxa. No Sul do estado, a produção foi muito impactada nos anos 90 e isso afetou centenas de famílias, prejudicando o investimento na cultura do cacau. A baixa produtividade foi uma consequência, reduzindo a renda dos produtores e movimentando outros conflitos, por exemplo, a falta de acesso a crédito.

Pará é outro canto do Brasil que se destaca na produção de cacau e que está entre as prioridades do humanize. Assim como a Bahia, a região precisa resolver questões como beneficiamento pós-colheita, o que inclui fermentação e secagem. Por lá, ainda é importante a transição para uma agricultura agroecológica.

Os dois estados também têm que avançar na integração entre produtor e indústria, bem como na taxa de renovação do cacaueiro. Nesse sentido, o que o humanize faz, para contribuir com soluções, envolve fortalecer as redes de agricultura familiar agroecológica. Isso potencializa o beneficiamento e a circulação para o abastecimento de novos mercados. Também apoiamos ações que passam por pesquisa, financiamento e assistência técnica. O objetivo final é melhorar a qualidade de vida e elevar a renda das famílias locais. Nesse sentido, nos juntamos ao nosso ecossistema de parceiros para apoiar associações e cooperativas de pequenos agricultores familiares e, assim, estimular o empreendedorismo inclusivo, o acesso ao mercado e a disponibilização de linhas de crédito.

Portfólio

Em nossa trajetória até aqui, a cadeia produtiva do cacau marcou diversas ações e estimulou um trabalho colaborativo com diferentes organizações. Isso aconteceu porque acreditamos em projetos que contribuem com a transformação de pessoas e territórios. No ciclo 2019-2021, por exemplo, o humanize apoiou cerca de 15 projetos que atuam especificamente para o desenvolvimento sustentável e geração de renda por meio da cadeia produtiva do cacau. O programa Uso Sustentável abriga mais da metade desses projetos.

Ainda falando sobre o recorte de cacau, os estados Bahia, Pará e Amazonas, respectivamente, são os territórios que mais receberam apoio por meio da nossa atuação em colaboração com parceiros – especialmente através da Parceria Estratégica para o sul da Bahia (iniciativa que conta com o parceiro Instituto Arapyaú). Considerando o triênio 2019-2021, a nossa atuação na cadeia do cacau auxiliou na geração de números expressivos, como mais de 1800 produtores capacitados no recorte de boas práticas e/ou com assistência técnica. Outro resultado que celebramos está no aumento de 92% da renda dos envolvidos nas iniciativas apoiadas.

Por trás desses números estão projetos como o Créditos Recebíveis do Agronegócio (CRA) e o Cacau Floresta. A primeira é uma operação de emissão de créditos que já beneficiou mais de 150 pequenos produtores de cacau do sul da Bahia – consorciado com outras culturas, como a do mel. A operação inova por ser a primeira com exigências sociais e ambientais, captando recursos de investidores de mercado e de organizações filantrópicas. Com gestão do Grupo Gaia, o CRA Sustentável na Mata Atlântica foi concebido por Tabôa, Instituto Arapyaú e humanize.

Já o Cacau Floresta é um bom exemplo aplicado ao Pará. O projeto, implementado pelo nosso parceiro The Nature Conservancy do Brasil – TNC Brasil,  responde ao desafio de oferecer alternativas de desenvolvimento econômico a agricultores familiares do estado, estimulando a substituição da prática de agropecuária extensiva de baixa tecnologia, responsável por parte significativa do desmatamento no território, por uma prática de agricultura sustentável. Como resultado, há um fortalecimento dos sistemas agroflorestais agroecológicos no sudeste do Pará e na Transamazônica, promovendo conservação e restauração da Amazônia no Estado do Pará, e melhorando a renda e a segurança alimentar de cerca de 250 famílias de agricultores familiares que já foram assistidas pelo projeto.

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