Prêmio Espírito Público

Celebrar o talento, a criatividade e o empenho de servidores públicos cujo trabalho representa um salto de qualidade é o objetivo do Prêmio Espírito Público, primeiro do gênero no Brasil.

Iniciativa coletiva de diversas instituições, o Prêmio Espírito Público é co-realizado pelo República.org e pela Agenda Brasil do Futuro, ambas organizações apartidárias e sem fins lucrativos. A ideia é reconhecer e divulgar a trajetória de profissionais que lutam diariamente contra as adversidades e encontram soluções arrojadas em prol do bem comum.

“Nós acreditamos que o motor de qualquer governo é o capital humano, ou seja, os servidores públicos”, explica Eloy Oliveira, diretor executivo do República.org. Formado em Direito pela UFRJ, com mestrado em Administração Pública pela Universidade de Columbia (EUA), Eloy ressalta que “o grande objetivo da iniciativa é empreender mudanças e resolver problemas através de investimentos na administração pública – “pois é nela que encontramos a real chance de impactar positivamente na vida das pessoas”.

Foi a partir deste pensamento que surgiu o Prêmio Espírito Público, que em 2018 teve a sua primeira edição, celebrando o trabalho de profissionais públicos de todo o Brasil em quatro categorias: Educação, Meio Ambiente, Segurança Pública e Gente, Gestão & Finanças Públicas.

Prêmio Espírito Público 2018 - Categoria Meio Ambiente
Carla Guaitanele e Patricia Sepe, finalistas da premiação; Georgia Pessoa, diretora executiva do Humanize; e Jair Schmitt, vencedor do Prêmio Espírito Público 2018 na categoria Meio Ambiente / foto: Gabi Carrera

 

“A premiação é uma forma de se chegar às boas experiências e de contarmos a história de quem está carregando o piano”, explica Eloy. Em 2018, Jair Schmitt foi o vencedor do Prêmio Espírito Público na categoria Meio Ambiente, da qual o Instituto Humanize foi o parceiro curador. Ele desenvolveu um modelo matemático para a mensuração da eficácia da fiscalização ambiental. “Esse modelo é fruto da minha tese de doutorado apresentada na Universidade de Brasília (UnB)”, explica. A tese, intitulada “Crime Sem Castigo: a Efetividade da Fiscalização Ambiental para o Controle do Desmatamento Ilegal na Amazônia” foi premiada com o Prêmio Capes de melhor tese defendida em 2015 na área de Ciências Ambientais, tendo também ganho o Prêmio UnB de Dissertação e Tese da área de Ciências Ambientais.

Jair tem 43 anos, vive em Brasília desde 2009, é formado em Ciências Biológicas, mestre em Ciências da Engenharia Ambiental pela USP e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela UnB. Seu ingresso no serviço público se deu em 2002, após ter sido aprovado no concurso para Analista Ambiental do IBAMA. Depois de trabalhar no Escritório Regional de Itacoatiara (AM), passou a coordenar as operações de fiscalização ambiental em todo o estado do Amazonas, dedicando-se, entre 2002 e 2005, a combater o desmatamento ilegal de maior envergadura, o que lhe propiciou grande experiência de campo, ampliando seu conhecimento da realidade amazônica e do trabalho interinstitucional.

Entre 2005 e 2009, foi requisitado pela Presidência da República para atuar no Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), também conhecido como projeto SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia). Em 2009, retomou o trabalho no IBAMA, desta vez em Brasília, onde empreendeu, com sua equipe, importantes atividades para o desenvolvimento da fiscalização ambiental, com destaque para a nova estratégia de capacitação dos fiscais ambientais, o auto de infração eletrônico, a publicização de informações ambientais e a implementação de medidas de segurança no trabalho, entre outras.

De 2013 a 2017, foi o coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do IBAMA, responsável pela fiscalização do Instituto em todo o país. A dedicação ao trabalho e os resultados obtidos fizeram com que fosse cedido ao Ministério do Meio Ambiente, onde atualmente exerce a função de Diretor do Departamento de Florestas e de Combate ao Desmatamento. No âmbito do MMA e na agenda ambiental, essa unidade tem um papel relevante na mitigação da mudança do clima, uma vez que o desmatamento na Amazônia e em outros biomas é uma das grandes fontes de emissão dos gases de efeito estufa que provocam o aquecimento do planeta.

 

 

Os primeiros agraciados

Muitos aplausos e boas histórias marcaram a cerimônia de entrega do primeiro Prêmio Espírito Público, que aconteceu no dia 14 de agosto de 2018, no Museu de Arte do Rio (MAR). Cada um dos vencedores das quatro categorias que compõem a premiação recebeu R$ 50 mil e uma viagem de intercâmbio a Londres, organizada pelo jornal The Guardian, a fim de conhecer instituições do serviço público britânico. Os vencedores foram: Jair Schmitt (Meio Ambiente), Maria Tereza Paschoal de Moraes (Educação), Emanuelle Aparecida de Pedro de Carvalho Netto (Segurança Pública) e Robinson Flávio Dias Nemeth (Gente, Gestão & Finanças Públicas).

Prêmio Espírito Público
Vencedores da primeira edição do Prêmio Espírito Público / foto: Gabi Carrera

 

Em 2019, o prêmio ganhou mais duas categorias, Saúde e Governo Digital, com 18 finalistas e 6 menções destaque. Confira os vencedores da segunda edição do Prêmio Espírito Público.